Albuquerque
(Pedro Mário Baptista
Frederico),
artista português,
n. em Viseu em 1953.
Autodidacta, além de
possuir já uma vasta obra multifacetada
(óleo, escultura,
azulejaria, medalhística, design, heráldica,
etc),
é
considerado um dos melhores especialistas da
Europa
em iluminuras e
pergaminhos.
in Dicionário
Enciclopédico Lello & Irmão |
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A compreensão e
entendimento da obra de ALBUQ (Pedro
Albuquerque) pressupõem – apesar da sua
origem intimista e (temporal e
geograficamente) localizada – uma noção
tópica, ainda que generalista, da parte do
observador que deseje, perante ela e seu
autor, estabelecer uma relação de gosto e
percepção…
Arte é – por
definição – fazer, criar, inventar, gerar,
transformar, inovar… estabelecendo pontes
comunicais, numa acepção transmissiva e
compartilhante de inteligência-emocional.
A obra recente
(gerada em 2010/2011) do artista plástico
ALBUQ é múltipla, variada, porventura
heterogénea, nela se revelando aspectos
notáveis do seu desenvolvimento evolutivo.
O seu perfil
autoral amadureceu, lateralmente a um
somatório de mundivências singulares,
marcado por alguma complexidade, desde a
influência parental directa – do pai, mestre
de Artes e professor de estilística e
tecnologia escultórica de metais forjados, e
da mãe pintora amadora miniaturista – …até
ao aprendizado, à frequência de ateliers de
artistas profissionais de Viseu e à
convivialidade íntima e livre, com poetas e
intelectuais, em petit-mondes de outros
centros culturais, em Portugal e no
estrangeiro.
Até uma recente
digressão cultural aos Estados Unidos – para
onde foi transferido um espólio misto
(pictórico e escultórico) inspirado na
demolição catastrófica das Twin Towers
[World Trade Center - NY 2001, 11 de
Setembro] – a sua carreira não ultrapassara
uma dimensão (relativamente) doméstica, a
despeito, não só, das suas potencialidades,
como da evidente força energética da sua
criatividade, da sua capacidade inovatória e
do seu imaginário espontâneo e libertário.
A natureza
genuína, a expressividade e minúcia da sua
caligrafia desenhística constituem, em
simultâneo, o suporte infraestrutural da sua
pintura, enquanto uma expressão gestual
(tendencialmente informalista, em muitos
casos) lhe confere a principal e mais
persuasiva marca caracterológica externa da
linguagem pictural que vem desenvolvendo,
como léxico próprio.
É múltipla a
diversidade temática identificável na sua
obra plural, cujo percurso abrange, não só o
desenho e a pintura, escultura e a cerâmica
(em artefactos objectuais de culto e arte
pública) como a arte gráfica (em diversas
modalidades, destacando-se o cartaz, a
ilustração, a iluminura e o lettrisme
archaïque).
Autor, original
e polifacetado, de uma obra incomensurável e
heterogénea, dispersa por inúmeros acervos
públicos e privados, guardada por
coleccionadores e amigos, Pedro Albuquerque
tem criado e produzido peças de Artes
Plásticas de grande, médio e pequeno
formatos, dotados de reconhecido mérito
estético e notável qualidade técnica,
desenvolvendo – com grande persistência e
apreciável humildade e discrição – uma
actividade cultural merecedora de invejável
admiração, por parte de colegas,
especialistas e amadores.
Para além de
peças únicas (pintura de cavalete e painéis,
esculturas e cerâmica), de artefactos únicos
e originais matriciais (cartões e maquettes)
destinados a reprodução seriada, em diversas
modalidades e suportes – designadamente
destinados a consagrações honoríficas,
efemérides e galardões oficiais ou
institucionais – Pedro Albuquerque tem
dedicado a vida, por inteiro, ao registo e à
comunicação visual de hábitos e costumes
(antigos e clássicos) ainda hoje projectados
nas convenções e na tradição social, mas –
em paralelo e, simultaneamente – desenvolve
uma actividade radicalmente paradoxal e
contraditória, dando largas à expressão
intimista da sua natureza profunda,
libertária, inconformada e manifestamente
contestatária.
Com um êxito
excepcional, logrou compatibilizar essa
verdadeira realidade conflitual,
compatibilizando essas duas posturas –
aparente e comummente antagónicas – com as
quais se debate, visivelmente, desde o
surgimento do seu ciclo introspectivo “EUS”
(que assumiu como autopesquisa e, até como
pseudónimo) no início da sua maturação
artística, em 1998/1999 até 2005, período em
que decide romper e alcançar a superação
fásica desse ciclo exploratório, recuperando
– num ‘repente’ – a essência e a forma dos
horizontes que antevira no início marginal
da sua carreira, ainda adolescente. Ao
adoptar a assinatura ALBUQ (cerca de 2006)
com a qual, a partir de então e, aqui, se
afirma (na plenitude), a sua identificação
com o passado, neste presente pro-futuro,
confere uma leitura de rara coerência à sua
obra e a todo o seu imaginário antecedente,
consolidando os alicerces da sua obra que
honra o longo, árduo e sofrido trabalho que
realizou e aqui, se resume.
É meu
privilégio, por isso, também, subscrever
este texto, onde pretendo sustentar a
evidência do facto de existirem, em
Portugal, gratificantes singularidades em
redutos culturais regionalistas excêntricos,
de onde brotam talentos artísticos –
perdidos e encontrados – na geografia
política desta Europa tão obviamente mal
acondicionada...
José-Luis
Ferreira, 2011,
www.circuloarturbual.com
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